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A DOUTRINA DONROE: COMO TRUMP REESCREVEU AS REGRAS DO PODER GLOBAL

De Monroe a Trump: 200 Anos de Domínio Hemisférico

INTRODUÇÃO: O RETORNO DA GRANDE ESTRATÉGIA

Quando as primeiras explosões iluminaram o céu de Caracas às duas da manhã de 3 de janeiro de 2026, poucos observadores compreenderam que não estavam testemunhando apenas mais uma operação militar americana na América Latina. Estavam presenciando a validação operacional da transformação mais profunda da política externa dos Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria. Em questão de horas, mais de 150 aeronaves americanas, operando a partir de 20 bases e porta-aviões, extraíram o presidente venezuelano Nicolás Maduro de seu complexo militar fortificado em Caracas e o transportaram, algemado, para Nova York.

Dias depois, ao anunciar o sucesso da Operação Absolute Resolve, Donald Trump não recorreu à linguagem convencional de contraterrorismo ou intervenção humanitária. Em vez disso, invocou um termo que havia nascido como trocadilho de tablóide apenas um ano antes: “Eles agora chamam isso de Doutrina Donroe.”

O portmanteau — fusão de “Donald” com “Monroe” — surgira pela primeira vez na capa do New York Post de 8 de janeiro de 2025, ilustrando uma visão audaciosa do hemisfério ocidental: Canadá riscado como “51º estado”, Groenlândia marcada como “nossa terra”, o Golfo do México rebatizado de “Golfo da América” e o Canal do Panamá apelidado de “Pana-MAGA”. O que parecia hipérbole jornalística tornou-se, em doze meses, doutrina de Estado codificada na Estratégia Nacional de Segurança de novembro de 2025 e validada com força militar sem precedentes.

A Doutrina Donroe representa mais que simples reasserção do poder americano. Ela cristaliza uma grande estratégia que combina seis pilares operacionais simultâneos: aquisição territorial (Groenlândia), intervenção militar direta (Venezuela), tarifas como armas de política externa (Irã, Rússia, NATO), coerção para relocação industrial (Taiwan), mediação presidencial de conflitos globais (Gaza, Ucrânia) e afirmações simbólicas de domínio hemisférico (Golfo da América). Cada pilar reforça os demais. Cada pressão amplifica a próxima. É xadrez multidimensional executado com coordenação estratégica que Henry Kissinger reconheceria como genuína Realpolitik do século XXI.

Mas a Doutrina Donroe também enfrenta contradições fundamentais. Ao empregar coerção econômica contra aliados tradicionais da NATO, empurrou a Europa para o maior acordo comercial de sua história com o Mercosul — exatamente na América Latina que Trump considera quintal exclusivo dos Estados Unidos. Ao ameaçar o Canadá com anexação e tarifas punitivas, forçou Ottawa a assinar acordos massivos com Pequim, criando o primeiro corredor comercial sino-canadense robusto em décadas. Ao pressionar a Índia com tarifas de 50% por comprar petróleo russo, Trump arriscou fragmentar a única democracia capaz de equilibrar a China na Ásia.

A questão central não é se a Doutrina Donroe é ambiciosa. É se é sustentável. James Monroe teve sucesso porque seus objetivos limitados — manter a Europa fora do hemisfério — correspondiam ao poder disponível. Theodore Roosevelt triunfou com seu Corolário porque as potências regionais não podiam resistir efetivamente à força americana. Trump está testando se os Estados Unidos de 2026 têm capacidade econômica, militar e diplomática para simultaneamente dominar as Américas, conter a China, fragmentar a influência russa, coagir aliados europeus, redesenhar cadeias de suprimento globais e mediar conflitos em múltiplos continentes.

Este artigo examina a arquitetura, execução e consequências da Doutrina Donroe através de análise rigorosa de fontes primárias — ordens executivas, documentos do Pentágono, decisões judiciais, acordos comerciais, relatórios de inteligência e análises de think tanks estratégicos. O que emerge é um retrato de reasserção imperial sem paralelo desde a Guerra Fria, executada com audácia tática, mas enfrentando vulnerabilidades estratégicas que podem transformar afirmação de poder em superextensão fatal.


PARTE 1: ORIGENS E EVOLUÇÃO DA DOUTRINA DONROE

1.1 De James Monroe a Donald Trump: A Linhagem Doutrinária

A Doutrina Monroe de 1823 nasceu como declaração defensiva. O presidente James Monroe, observando as revoluções de independência na América Latina e temendo reconquista europeia, estabeleceu princípio simples, mas revolucionário: “Os continentes americanos... não devem ser considerados como sujeitos para futura colonização por qualquer potência europeia.” Era aviso, não ameaça. Os Estados Unidos não possuíam marinha ou exército capaz de enforçar militarmente tais reivindicações. A proteção implícita da Royal Navy britânica, interessada em impedir que rivais continentais controlassem mercados latino-americanos, fornecia garantia real.

O Corolário Roosevelt de 1904 transformou defesa em policiamento. Theodore Roosevelt, confrontando inadimplências latino-americanas que atraíam intervenções europeias (canhoneiras alemãs bloqueando portos venezuelanos em 1902), declarou que “flagrante má conduta crônica” por nações hemisféricas poderia exigir que os Estados Unidos exercessem “poder de polícia internacional”. A diferença era fundamental: Monroe excluiu interferência externa; Roosevelt reivindicou direito americano de intervir internamente. A República Dominicana foi ocupada em 1905, Nicarágua em 1912, Haiti em 1915.

A Doutrina Reagan dos anos 1980 adicionou dimensão ideológica anticomunista. Confrontando expansão soviética através de proxies cubanos e nicaraguenses, Reagan armou insurgentes em El Salvador, Honduras e Nicarágua, invadiu Granada em 1983 e declarou que “devemos estar dispostos a usar nossa força militar” para impedir que o hemisfério se tornasse base de poder soviético. Era contenção global aplicada regionalmente, subordinando soberania hemisférica à luta bipolar.

A Doutrina Donroe, codificada formalmente no Corolário Trump da Estratégia Nacional de Segurança de novembro de 2025, vai além de todas as antecessoras. Ela combina exclusão de Monroe, intervencionismo de Roosevelt, e anticomunismo de Reagan, mas adiciona componentes inéditos: aquisição territorial direta (Groenlândia, Canal do Panamá), weaponização de tarifas contra aliados (NATO), e relocação coercitiva de capacidade industrial (Taiwan). O documento NSS declara explicitamente:

“Os Estados Unidos negarão a competidores extra-hemisféricos a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais, em nosso Hemisfério.”

Secretário de Estado Marco Rubio operacionalizou a doutrina publicamente: “Este é o Hemisfério Ocidental. É onde vivemos — e não vamos permitir que o Hemisfério Ocidental seja base de operações para adversários, competidores e rivais dos Estados Unidos.”

1.2 O Nascimento do Termo e Sua Adoção Estratégica

O termo “Doutrina Donroe” emergiu não de think tanks washingtonianos, mas de tablóide nova-iorquino. O New York Post, conhecido por manchetes provocativas, publicou em 8 de janeiro de 2025 uma capa mostrando mapa do hemisfério com Canadá riscado como “51º estado,” Groenlândia marcada “nossa terra,” Golfo do México renomeado “Golfo da América,” e Canal do Panamá apelidado “Pana-MAGA”. O título: “A Doutrina Donroe: A Visão de Trump para o Hemisfério.”

Inicialmente, a Casa Branca não endossou publicamente o termo. Mas após o sucesso da Operação Absolute Resolve — a captura de Maduro em 3 de janeiro de 2026 — Trump abraçou o branding com entusiasmo característico. Em discurso de 4 de janeiro, declarou:

> “Todas essas ações foram em clara violação dos princípios centrais da política externa americana, datando de mais de dois séculos... remontando à Doutrina Monroe. E a Doutrina Monroe é grande coisa, mas a superamos muito. Agora eles chamam de ‘Doutrina Donroe’.

A adoção foi calculada. Trump compreendeu que branding político eficaz transforma ações táticas em narrativa estratégica coerente. “America First” havia servido para campanha eleitoral. “Doutrina Donroe” serviria para política externa. Em semanas, o termo saturava análises de think tanks, manchetes internacionais e debates congressionais. O que nasceu como trocadilho virou framework analítico através do qual adversários e aliados interpretavam ações americanas.

1.3 A Estratégia Nacional de Segurança: Codificação Formal

A Estratégia Nacional de Segurança (NSS) de novembro de 2025 transformou slogan em doutrina oficial de Estado. O documento de 33 páginas dedica seção inteira (IV.3.A) ao “Corolário Trump à Doutrina Monroe,” declarando:

> “Após anos de negligência, os Estados Unidos reassertarão e enforçarão a Doutrina Monroe para restaurar preeminência americana no Hemisfério Ocidental e para proteger nossa pátria e nosso acesso a geografias-chave em toda a região.”

O NSS define objetivos hemisféricos específicos:

  1. Estabilidade Governamental: Garantir que a região “permaneça razoavelmente estável e bem governada o suficiente para prevenir e desencorajar migração em massa”

  2. Cooperação Antinarcóticos: Governos que “cooperem conosco contra narco-terroristas, cartéis e outras organizações criminosas transnacionais”

  3. Exclusão de Rivais: Região “livre de incursão hostil estrangeira ou propriedade de ativos-chave”

  4. Integração de Cadeias de Suprimento: Hemisfério que “apoie cadeias de suprimento críticas”

A linguagem é notável por sua franqueza. Não há pretensão de promover democracia ou direitos humanos. Os objetivos são explicitamente transacionais: estabilidade suficiente para prevenir migrações, cooperação contra drogas, exclusão de China e Rússia, e integração de recursos ao sistema produtivo americano. É Realpolitik sem máscara wilsoniana.

1.4 A Estratégia de Xadrez 5D: Coordenação entre Pilares

O que distingue a Doutrina Donroe de assertividades anteriores é integração sistêmica entre seis pilares operacionais que se reforçam mutuamente:

Pilar 1 — Expansão Territorial: Aquisição ou controle de geografias estratégicas (Groenlândia para Ártico e terras raras; Canal do Panamá para rotas marítimas)

Pilar 2 — Intervenção Militar: Uso de força letal para remover regimes alinhados a adversários (Venezuela como precedente, com ameaças implícitas a Nicarágua e Cuba)

Pilar 3 — Tarifas como Armas: Coerção econômica não apenas contra adversários mas contra aliados e neutros que não se alinham (NATO, Índia, Canadá, países negociando com Irã ou Rússia)

Pilar 4 — Acordos Comerciais Estratégicos: Recompensas massivas para cooperação (US$ 500 bilhões com Taiwan em troca de relocação de semicondutores)

Pilar 5 — Conselho da Paz: Mediação presidencial direta de conflitos globais fora de instituições multilaterais (Gaza, Ucrânia, Índia-Paquistão), posicionando Trump como mediador indispensável

Pilar 6 — Afirmações Simbólicas: Renomeações geográficas e declarações que reforçam narrativa psicológica de pertencimento hemisférico exclusivo (Golfo da América)

A execução é simultânea e coordenada. Tarifas sobre NATO pressionam concessão da Groenlândia enquanto aquisição territorial demonstra seriedade das ameaças econômicas. Captura de Maduro valida que força militar apoia ultimatos verbais. Acordo com Taiwan mostra benefícios da cooperação enquanto tarifas sobre a Índia demonstram custos da resistência. Mediação de paz em Gaza posiciona Trump como líder global enquanto Venezuela prova disposição para uso unilateral de força.

É xadrez multidimensional onde cada movimento altera tabuleiros adjacentes. China enfrenta exclusão hemisférica através de Venezuela enquanto Taiwan é coagido a relocar fábricas. Europa sofre tarifas sobre Groenlândia enquanto Mercosul-UE responde construindo alternativa comercial. A Índia é punida por petróleo russo enquanto o Paquistão é recompensado por cooperação. Canadá é ameaçado com anexação enquanto pivot para Pequim demonstra limites da coerção.

Tucker Carlson faria a pergunta que establishment evita: E se a coordenação brilhante entre pilares acelerar exatamente a multipolaridade que pretende evitar? E se pressão simultânea em todas as frentes empurrar aliados para blocos alternativos em vez de subordinação? Kissinger alertaria sobre perigos de excesso de ambição: grandes estratégias falham não por falta de visão, mas quando capacidade não acompanha objetivos.


PARTE 2: OS SEIS PILARES DA DOUTRINA DONROE

2.1 Pilar 1: Expansão Territorial — Groenlândia e o Controle do Ártico

A Lógica Estratégica da Groenlândia

A obsessão de Trump com a Groenlândia não é capricho. É cálculo geopolítico fundamentado em três imperativos estratégicos convergentes: controle do GIUK Gap (corredor marítimo Groenlândia-Islândia-Reino Unido) para monitorar submarinos russos no Atlântico Norte; acesso a depósitos maciços de terras raras essenciais para defesa e tecnologia; e negação desses mesmos recursos à China, que controla 90% do processamento global de elementos críticos.

A ilha hospeda Pituffik Space Base (antiga Thule Air Force Base), o posto militar americano mais ao norte, essencial para detecção de mísseis balísticos. Mas o valor estratégico vai além de segurança: o depósito de Kvanefjeld contém aproximadamente 11+ milhões de toneladas métricas de terras raras, o terceiro maior depósito terrestre conhecido. O depósito de Tanbreez potencialmente alcança 28,2 milhões de toneladas. Em junho de 2025, o US Export-Import Bank estendeu carta de interesse de US$ 120 milhões para desenvolvimento da mina Tanbreez.

Com a China controlando processamento e Pequim usando esse monopólio para pressão geopolítica (como em 2010, quando cortou exportações ao Japão durante disputa territorial), Trump vê aquisição da Groenlândia como quebra de dependência crítica. É corrida por recursos com dimensão militar e industrial convergente.

A Campanha Tarifária Contra a NATO

Quando a Dinamarca repetidamente rejeitou ofertas de compra, Trump escalou para coerção econômica inédita contra aliados da NATO. Em 17 de janeiro de 2026, anunciou tarifas de 10% a partir de 1º de fevereiro, escalando automaticamente para 25% em 1º de junho, sobre oito aliados: Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia — todos participantes de exercícios militares conjuntos na Groenlândia que Trump interpretou como desafio à “hemisferização” americana do Ártico.

A justificativa oficial linkava presença militar europeia na Groenlândia a ameaça à segurança nacional americana. Em Truth Social, Trump escreveu:

> “China e Rússia querem a Groenlândia, e não há nada que a Dinamarca possa fazer a respeito. Atualmente têm dois trenós puxados por cães como proteção, um adicionado recentemente. Apenas os Estados Unidos da América, sob o PRESIDENTE DONALD J. TRUMP, podem jogar neste jogo.”

A declaração revelava lógica subjacente: Dinamarca (população de 5,9 milhões, PIB de US$ 400 bilhões) não tem capacidade militar para defender Groenlândia contra pressão chinesa ou russa em cenário de competição ártica intensificada. Trump argumentava que a dependência europeia do guarda-chuva de segurança americano tornava a resistência à venda hipócrita: se EUA defendem Groenlândia de adversários, por que não podem possuí-la?

Reações Européias: Da Defesa à Autonomia Estratégica

As respostas europeias variaram de indignação a alarme existencial. Primeiro-ministro britânico Keir Starmer declarou que aplicar “tarifas sobre aliados por buscar segurança coletiva de aliados da NATO está completamente errado.” Presidente francês Emmanuel Macron foi ainda mais enfático via X (antigo Twitter):

> “Nenhuma intimidação ou ameaça pode nos influenciar — nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar... Ameaças tarifárias são inaceitáveis.”

A presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen alertou sobre “espiral descendente perigosa” e afirmou que “integridade territorial... é princípio fundamental do direito internacional.”

Mas a resposta mais reveladora veio da senadora republicana Lisa Murkowski (Alasca), cujo estado compartilha interesses árticos. Ela chamou a ideia de adquirir Groenlândia de “impressionante” e “não uma boa ideia,” observando que 75% dos americanos se opunham à compra. Murkowski introduziu legislação bipartidária proibindo uso de fundos dos Departamentos de Defesa ou Estado para anexar Groenlândia sem consentimento de aliados ou autorização da NATO.

Resistência Groenlandesa e o Dilema da Autodeterminação

Enquanto Washington e Copenhague batalhavam diplomaticamente, a população groenlandesa — 57.000 habitantes, 88% inuítes — demonstrou oposição esmagadora. Pesquisas mostraram 85% contra união com os EUA, apenas 6% a favor. Em 17 de janeiro de 2026, manifestações massivas em Nuuk (capital) e Copenhague reuniram milhares, com o primeiro-ministro groenlandês Jens-Frederik Nielsen participando pessoalmente dos protestos.

O dilema era profundo: Groenlândia possui direito à autodeterminação sob lei dinamarquesa, podendo convocar referendo de independência unilateral. Mas independência criaria nação de 57.000 habitantes com PIB de apenas US$ 3,2 bilhões, dependente de subsídios dinamarqueses que cobrem 60% do orçamento público. Pressão americana colocava groenlandeses entre três opções igualmente problemáticas: manter status quo com Dinamarca (rejeitando soberania plena), buscar independência (arriscando colapso econômico) ou aceitar “união” com EUA (perdendo identidade cultural e autogoverno).

Trump aparentemente apostava que coerção econômica sobre Dinamarca eventualmente forçaria Copenhague a pressionar groenlandeses, ou que groenlandeses veriam proposta americana como escape de dependência dinamarquesa. Ambas as apostas provaram-se erradas em janeiro de 2026, mas tarifas permaneceram em vigor, sinalizando que a campanha era de longo prazo.

2.2 Pilar 2: Intervenção Militar — Operação Absolute Resolve na Venezuela

Preparativos: Infiltração e Posicionamento (Agosto 2025 - Janeiro 2026)

Enquanto Trump pressionava a Europa sobre Groenlândia, outro tabuleiro estava sendo montado em silêncio absoluto no Caribe. Desde agosto de 2025, operativos da CIA e forças especiais americanas haviam sido discretamente posicionados na capital venezuelana. Cinco meses de preparação meticulosa: mapeamento de movimentos do regime, identificação de vulnerabilidades nas camadas de segurança cubanas que protegiam Maduro, construção de rede de inteligência humana tecida fio por fio.

A Operação Southern Spear — precursora da Absolute Resolve — iniciou com bloqueios marítimos e “interdições” de barcos de drogas venezuelanos no Caribe. O primeiro ataque aéreo ocorreu em setembro de 2025, matando 11 pessoas descritas como membros do Tren de Aragua (gangue transnacional venezuelana). Secretário Rubio foi franco: “Em vez de interceptar, por ordens do presidente, explodimos. E acontecerá novamente.”

Entre setembro e dezembro de 2025, mais de 20 ataques aéreos mataram acima de 100 pessoas. A justificativa oficial era contraterrorismo antidrogas. A realidade estratégica era posicionamento de ativos militares e normalização de ataques aéreos no Caribe sem alarmar o regime ou mobilizar oposição internacional.

Em julho de 2025, Trump designou o Cartel dos Sóis — alegadamente liderado pelo próprio Maduro — como Organização Terrorista Estrangeira. A recompensa pela captura do ditador aumentou para US$ 50 milhões em agosto. Cada movimento público escondia preparativos clandestinos. Maduro era alvo confirmado. Apenas a data da operação permanecia incerta.

Um bloqueio marítimo de petroleiros venezuelanos começou em 17 de dezembro de 2025. EUA apreenderam o petroleiro “Skipper” em 10 de dezembro, o “Centuries” (carregando 1,8 milhão de barris destinados à China) em 20 de dezembro e o petroleiro russo “Marinera” e o “M Sophia” (bandeira panamenha) em 7 de janeiro de 2026. Trump declarou: “Venezuela está completamente cercada pela maior armada já montada na história da América do Sul.”

Execução: A Noite de 3 de Janeiro de 2026

Às 23h46 ET de 2 de janeiro, Trump emitiu ordem final de execução de Mar-a-Lago. Às 2h00 do horário local venezuelano (3 de janeiro), múltiplas explosões foram reportadas em La Guaira e Caracas quando a aviação americana suprimiu defesas aéreas.

Entre 02h01 e 04h29, mais de 150 aeronaves — incluindo caças F-22A Raptor, F-35, bombardeiros B-1B Lancer, aeronaves de guerra eletrônica EA-18G Growler, aviões de alerta antecipado E-2 Hawkeye e drones stealth RQ-170 Sentinel — executaram ataques sobre nós de comando e controle. Simultaneamente, forças especiais conduziram assalto no palácio presidencial e nas casas de segurança usando helicópteros MH-47 Chinook e MH-60 Black Hawk do 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais.

As baixas foram significativas e intencionais: 42-43 soldados venezuelanos mortos, 32 militares e pessoal de inteligência cubanos (servindo como guarda de segurança de Maduro) e pelo menos 2 civis. Cuba declarou dois dias de luto nacional. Trump comentou laconicamente: “Muitos cubanos foram mortos ontem... Estavam protegendo Maduro. Não foi movimento inteligente.”

Forças americanas não sofreram fatalidades, embora 7 militares tenham sido feridos. Um helicóptero sofreu dano de fogo terrestre, mas permaneceu voável. A assimetria de baixas — zero mortos americanos contra 76+ venezuelanos e cubanos — demonstrava superioridade tecnológica e tática esmagadora.

Maduro e sua esposa Cilia Flores foram inicialmente transferidos para USS Iwo Jima, depois transportados para Guantánamo Bay antes do voo final para Stewart Air National Guard Base em Nova York.

Consequências Legais e Políticas

Maduro foi formalmente acusado em Manhattan em 5 de janeiro de 2026, perante juiz Alvin Hellerstein, por conspiração de narcoterrorismo, conspiração de importação de cocaína, e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos. Ele se declarou inocente, afirmando: “Sou o presidente da Venezuela, me considero prisioneiro de guerra. Fui capturado em minha casa em Caracas.” Próxima audiência marcada para 17 de março de 2026.

Trump declarou que Estados Unidos “administrarão o país até que possamos fazer transição segura, apropriada e judiciosa,” citando petróleo como motivação primária: “Tremenda quantidade de dinheiro terá que ser gasta, e as companhias petrolíferas gastarão isso.”

A reação regional revelou fraturas hemisféricas profundas:

  • Venezuela: Vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu presidência em 3 de janeiro, ordenada pelo Supremo Tribunal, tornando-se primeira mulher a exercer funções presidenciais venezuelanas. Após inicialmente denunciar operação como “barbaridade” e “sequestro,” Rodríguez adotou tom conciliatório, oferecendo “agenda de cooperação” com EUA e liberando 9 prisioneiros políticos em 8 de janeiro — movimento que levou Trump a cancelar ataques de segunda onda planejados.

  • Colômbia: Presidente Gustavo Petro alertou que América Latina estava retornando à “lei da selva” e declarou prontidão para mobilizar forças de defesa.

  • China: Pequim, tendo investido bilhões na Venezuela, encontrou-se impotente para impedir ação americana. Ministro das Relações Exteriores Wang Yi criticou EUA por atuar como “policial mundial,” mas falta de resposta cinética chinesa destacou limites da projeção de poder de Pequim no Hemisfério Ocidental.

Marginalização de María Corina Machado

Ironicamente, a líder da oposição democrática venezuelana — María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025 — foi notavelmente marginalizada. Fontes indicaram que Trump ressentiu-se de ela aceitar o Nobel que ele cobiçava, dizendo que ela cometera o “pecado supremo” ao não recusá-lo.

Em reunião na Casa Branca de 15 de janeiro de 2026, Machado apresentou sua medalha Nobel a Trump “como reconhecimento pelo seu único comprometimento com nossa liberdade” — gesto desesperado para recuperar relevância. O Comitê Nobel esclareceu que o prêmio não pode ser “revogado, compartilhado ou transferido.”

A marginalização de Machado revelou contradição central: enquanto retórica oficial citava democracia e rule of law, prioridade estratégica era controle de petróleo venezuelano e exclusão de influência chinesa. Democratas venezuelanos genuínos tornaram-se inconvenientes quando houve desafios à administração direta americana do país.

2.3 Pilar 3: Tarifas como Armas — A Inovação das “Tarifas Proxy”

A Revolução IEEPA e o Armamento do Comércio

A Doutrina Donroe transformou tarifas de instrumentos comerciais em ferramentas primárias de coerção geopolítica através de invocação sem precedentes do International Emergency Economic Powers Act (IEEPA). A cascata começou em 4 de fevereiro de 2025, com tarifas de 25% sobre Canadá e México e 10% sobre China, citando emergências nacionais relacionadas a tráfico de fentanil.

O “Dia da Libertação” de 2 de abril de 2025 declarou emergência nacional relacionada ao déficit comercial, impondo tarifa base de 10% sobre quase todas as importações sob IEEPA. Tarifas específicas por país (11%-50%) foram agendadas, mas pausadas após crash do mercado de ações de 2025, com taxas país-específicas (15%-40%) eventualmente entrando em vigor em 7 de agosto de 2025.

A China experimentou escalada tarifária dramática: de 10% (fevereiro) para 20% (março) para 145% (abril) seguindo ciclos retaliatórios, antes de trégua de 90 dias reduzir taxas para 30% em maio de 2025. Após reunião Trump-Xi na APEC na Coreia do Sul em outubro de 2025, tarifas foram reduzidas em 10%, com extensão de um ano até 10 de novembro de 2026.

Tarifas Secundárias: Punindo Terceiros por Comércio com Adversários

A inovação mais radical foi a “tarifa proxy”: punir nações inteiras não por suas próprias ações, mas por relações comerciais com adversários americanos. Em 12 de janeiro de 2026, Trump anunciou via Truth Social:

> “Efetivamente imediato, qualquer País fazendo negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma Tarifa de 25% sobre todos os negócios feitos com os Estados Unidos da América.”

Não era tarifa sobre o Irã — era tarifa sobre quem negocia com o Irã. A lógica era brutal: criar escolha binária para cada nação entre comércio com os EUA e comércio com adversários americanos, nunca ambos. China compra aproximadamente 80% do petróleo iraniano. Tarifa de 25% sobre todas as exportações chinesas aos EUA, somada a tarifas existentes, levaria a taxa efetiva a aproximadamente 70%.

Mas o alvo não era só Pequim. Turquia, Emirados Árabes Unidos, Índia, Paquistão — todos mantêm laços comerciais com Teerã. Todos agora enfrentavam a mesma questão: vale manter relações com o Irã se o preço é perder acesso ao maior mercado consumidor do planeta?

O gênio perverso da estratégia: Washington não precisava convencer aliados a sancionar o Irã. Apenas tornava economicamente suicida não fazê-lo. Enforcement terceirizado via coerção tarifária. Monroe nunca imaginou que tarifas poderiam substituir canhoneiras.

O Caso da Índia: Tarifas de 50% como Punição Geopolítica

A estratégia foi beta-testada contra a Índia. Frustrado por Nova Delhi continuar comprando petróleo russo com desconto (financiando máquina de guerra russa), Trump impôs tarifa adicional de 25% sobre importações indianas em agosto de 2025, dobrando para 50% em 27 de agosto.

Trump foi franco: “Índia está comprando petróleo russo, está alimentando a máquina de guerra.” Ele admitiu que o movimento “causou um racha” com o primeiro-ministro Modi, mas insistiu que era necessário cortar a linha de vida de Putin.

As tarifas visaram US$ 48,2 bilhões em exportações indianas, devastando setores têxtil, joalheria e automotivo. A coerção aparentou eficácia: importações indianas de petróleo russo caíram de aproximadamente 1,8 milhão de barris/dia em novembro para 1,0 milhão em dezembro de 2025 — redução de 44%.

Mas a vitória foi pífia. A Índia não cessou completamente compras russas, destacando limites de coerção contra grandes poderes que veem segurança energética como não-negociável. Mais criticamente, tarifas punitivas arriscaram fragmentar a única democracia capaz de equilibrar China na Ásia — exatamente quando Washington precisava fortalecer Quad (EUA-Japão-Índia-Austrália) como contrapeso a Pequim.

A Batalha Legal: IEEPA na Suprema Corte

A arquitetura tarifária da Doutrina Donroe enfrenta desafio legal existencial. Em 28 de maio de 2025, a Corte de Comércio Internacional (CIT) julgou tarifas IEEPA “inválidas como contrárias à lei” no caso V.O.S. Selections, Inc. v. Trump, concluindo que a autorização da IEEPA para “regular...importação” não inclui autoridade tarifária — chamando-a de “junco finamente-talhado sobre o qual repousar poder tão abrangente.”

O tribunal aplicou doutrina de questões maiores, exigindo que o Congresso fale claramente ao delegar autoridade sobre questões de vasta significância econômica. A Corte Federal de Apelações confirmou 7-4 em 29 de agosto, mas suspendeu decisão pendente de revisão pela Suprema Corte.

Argumentos orais ocorreram em 5 de novembro de 2025, com vários juízes expressando ceticismo. Chief Justice Roberts questionou como um regime tarifário multibilionário poderia repousar sobre silêncio estatutário. Justice Sotomayor enfatizou que tarifas geram receita de cidadãos americanos, implicando autoridade tributária do Artigo I do Congresso. Justice Barrett perguntou ao Procurador-Geral para identificar qualquer estatuto onde “regular importação” foi interpretado como incluindo tarifas — ele não conseguiu.

Secretário do Tesouro Scott Bessent reconheceu planejamento de contingência: “Podemos recriar estrutura tarifária exata com seções 301, 232, 122” se tarifas IEEPA forem derrubadas. Trump alertou que decisão contra administração poderia deixar EUA responsáveis por reembolsar “centenas de bilhões de dólares” em tarifas coletadas.

Decisão esperada no início de 2026 poderia desmantelar pilar econômico da Doutrina Donroe, forçando Trump a escolher entre recuar e encontrar autoridade estatutária alternativa — processo que daria ao Congresso veto efetivo sobre ferramentas de política externa que Trump tem exercido unilateralmente.

2.4 Pilar 4: Acordos Comerciais Estratégicos — Reshoring Forçado e Realinhamentos

O Acordo de Semicondutores com Taiwan: US$ 500 Bilhões

A conquista econômica assinada pela administração é o acordo de US$ 500 bilhões com Taiwan anunciado em 15 de janeiro de 2026. Compreende US$ 250 bilhões em investimentos diretos de empresas de tecnologia taiwanesas em semicondutores, IA e operações de energia, mais US$ 250 bilhões em garantias de crédito do governo taiwanês para investimentos adicionais em cadeia de suprimentos.

O porrete: Trump havia ameaçado tarifa “recíproca” de 20% sobre chips taiwaneses, efetivamente mantendo a principal exportação da ilha como refém.

A cenoura: Sob acordo, tarifas foram reduzidas para 15% (igualando Japão e Coreia do Sul), com alívio especial permitindo a empresas construindo novas instalações americanas importarem 2,5x sua capacidade atual sem tarifas durante a construção.

O compromisso central: Expansão da TSMC no Arizona representa o âmago do acordo. A empresa anunciou US$ 100 bilhões adicionais em investimento em março de 2025 (elevando o compromisso total para US$ 165 bilhões), iniciou construção da terceira fábrica em abril e planeja 8-12 fábricas totais visando 30% de capacidade 2nm e mais avançada no Arizona. Administração almeja 20% de produção de semicondutores baseada nos EUA até 2036 — reshoring dramático de manufatura quase zero de chips avançados.

O acordo transforma a relação EUA-Taiwan de parceria de segurança em racket transacional de proteção: Taiwan paga por sua segurança com joias da coroa industrial. Se Pequim bloquear Taiwan, economia americana permanece isolada de choque de semicondutores. É friendly shoring como imperativo de segurança nacional.

Canadá e o “Pivot Carney” para Pequim

Relações com Canadá — tradicionalmente parceiro econômico mais próximo da América — deterioraram-se para uma guerra comercial. Retórica de Trump referindo-se a Canadá como “ativo estratégico” e flutuando ideia de “51º Estado,” combinada com tarifas de 25% sobre produtos canadenses, forçou Ottawa a buscar alternativas.

Em realinhamento geopolítico impressionante, primeiro-ministro canadense Mark Carney visitou Pequim de 14 a 17 de janeiro de 2026 — primeira visita de PM canadense à China desde 2017. Reunindo-se com presidente Xi Jinping e premier Li Qiang, Carney garantiu acordo preliminar framework reduzindo tarifas chinesas sobre veículos elétricos de 100% para 6,1% (com cota de 49.000 veículos anualmente) e tarifas chinesas sobre canola de aproximadamente 84% para 15% até março de 2026.

O acordo poderia desbloquear quase US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores canadenses prejudicados por protecionismo americano. Carney explicitamente posicionou movimento como diversificação comercial longe de Estados Unidos “não confiável,” declarando: “América não é Canadá, e Canadá nunca, jamais será parte da América de qualquer forma.”

O “Pivot Carney” demonstra blowback da Doutrina Donroe: ao agredir agressivamente aliado, EUA empurraram Canadá a hedge suas apostas com rival primário da América, fraturando perímetro defensivo e econômico norte-americano. Tucker Carlson perguntaria: Que tipo de “grande estratégia” transforma seu maior parceiro comercial em aliado de seu maior adversário?

Mercosul-UE: A Europa Constrói Alternativa Hemisférica

Em ironia histórica deliciosa, exatamente no mesmo dia em que Trump anunciou tarifas sobre oito aliados da NATO pela recusa em vender Groenlândia (17 de janeiro de 2026), Ursula von der Leyen estava em Assunção, Paraguai, assinando acordo comercial Mercosul-UE. Vinte e cinco anos de negociações burocráticas concluídos precisamente quando Washington alienava aliados tradicionais.

O acordo Mercosul-UE cria instantaneamente maior zona de livre comércio do planeta: mais de 780 milhões de consumidores, PIB combinado superior a US$ 26 trilhões, eclipsando USMCA (EUA-México-Canadá) e aproximando-se da Parceria Econômica Regional Abrangente liderada pela China. Tarifas zeradas em 91% de produtos europeus exportados para a América do Sul dentro de dez anos.

Von der Leyen foi cristalina na mensagem: “Escolhemos comércio justo em vez de tarifas. Quando alguns preferem erguer muros, construímos pontes.” Presidente Lula completou: “Quando protecionismo e unilateralismo isolam mercados e ameaçam aliados com punições econômicas, duas regiões que compartilham valores democráticos escolhem caminho diferente.”

A Doutrina Donroe estava empurrando aliados tradicionais para os braços de adversários ou blocos alternativos. Europa consolidou influência comercial exatamente na América Latina que Trump considera quintal exclusivo americano desde Monroe em 1823. Bruxelas estava fazendo o que Washington temia: diversificando cadeias de suprimento, reduzindo dependência do mercado consumidor americano, construindo autonomia estratégica comercial que diminui alavancagem futura de tarifas como arma de política externa.

2.5 Pilar 5: Conselho da Paz — Mediação Presidencial como Substituição Institucional

O Modelo Gaza e a Privatização da Diplomacia

A Doutrina Donroe rejeita maquinaria pesada da ONU e da OSCE. Em vez disso, Trump instituiu “Conselhos da Paz” — conselhos ad hoc liderados por executivo que buscam impor acordos sobre partes em conflito através de mix de ameaças econômicas e diplomacia personalista.

O plano de paz de Gaza foi anunciado em 29 de setembro de 2025, assinado em 9 de outubro de 2025 em Sharm El-Sheikh, Egito, e endossado pelo Conselho de Segurança da ONU em 17 de novembro de 2025. Hamas concordou em liberar reféns e entregar administração de Gaza a “corpo palestino de tecnocratas independentes”, mas não concordou em desarmar.

A administração criou Conselho da Paz para gerenciar reconstrução de Gaza, pontualmente excluindo a ONU. Conselho é composto por leais a Trump e membros da família, incluindo Jared Kushner e Steve Witkoff, sinalizando que a política do Oriente Médio agora é empreendimento privatizado operado de Mar-a-Lago.

Ucrânia: O Plano de 28 Pontos como Lista de Desejos Russa

A diplomacia ucraniana de Trump produziu plano de paz de 28 pontos apresentado a Zelensky em 20 de novembro de 2025, rascunhado por enviado especial Steve Witkoff com input do secretário Rubio e de Jared Kushner. O plano foi desenvolvido durante reuniões com o enviado russo Kirill Dmitriev em Miami de 24 a 26 de outubro de 2025.

Provisões-chave incluem: reconhecimento de Crimeia, Luhansk e Donetsk “como de facto russas, inclusive pelos Estados Unidos”; militar ucraniano limitado a 600.000-800.000 pessoas; barra constitucional à adesão à NATO; garantias de segurança estilo Artigo 5 da NATO de EUA e aliados europeus; eleições dentro de 100 dias; e “Conselho da Paz” liderado por Trump para monitorar implementação. Controversamente, grupo de trabalho americano-russo conjunto controlaria ativos russos congelados.

Até dezembro de 2025, negociações reduziram plano para 20 pontos após input ucraniano e europeu. Na reunião de Zelensky em Mar-a-Lago de 28 de dezembro, ele declarou que plano estava “90% acordado” e garantias de segurança EUA-Ucrânia “100% acordadas,” propondo referendo sobre questões territoriais contingente em cessar-fogo russo de 60 dias. Putin chamou plano de 28 pontos de “base de acordo de paz final”, mas não se comprometeu com especificidades.

Senadores americanos briefados pelo secretário Rubio descreveram plano como “lista de desejos russa,” expondo rifts profundas entre ala MAGA (Witkoff) e institucionalistas (Rubio).

Índia-Paquistão: Crédito Disputado e Consequências Tarifárias

Em maio de 2025, Sul da Ásia cambaleou na beira de guerra nuclear seguindo ataque terrorista de Pahalgam (22 de abril) e ataques retaliatórios indianos da “Operação Sindoor” em 7 de maio.

Trump reivindicou crédito pelo cessar-fogo de 10 de maio, vangloriando-se de que “parou guerra entre duas nações nucleares” através de diplomacia telefônica. Mas realidade foi contestada:

  • Postura da Índia: Ministro das Relações Exteriores S. Jaishankar firmemente negou mediação americana, atribuindo pausa a dissuasão indiana bem-sucedida.

  • Pivot do Paquistão: Embora inicialmente agradecendo Trump, o Paquistão posteriormente creditou a China por seu papel, ilustrando como a reivindicação americana de ser árbitro único de paz global é cada vez mais desafiada por Pequim.

A negação indiana de mediação americana irritou Trump, contribuindo para subsequente escalada tarifária de 50% sobre a Índia — revelando que Conselhos da Paz servem não apenas para resolver conflitos, mas para posicionar Trump como mediador indispensável merecedor de crédito e gratidão.

Tailândia-Camboja: Os Limites da Diplomacia Tarifária

No Sudeste Asiático, Trump pessoalmente mediou o Acordo de Paz de Kuala Lumpur (outubro de 2025) para encerrar combates fronteiriços sobre a área do templo Preah Vihear. Alavancagem usada foi crua, mas eficaz: ameaça de tarifas de 36% sobre ambas as nações se não assinassem.

O acordo durou dois meses antes de combates recomeçarem em dezembro de 2025. Falha destacou limitações de “diplomacia tarifária” — ameaças econômicas podem forçar assinatura, mas não podem resolver queixas étnicas e territoriais subjacentes.

2.6 Pilar 6: Afirmações Simbólicas — Golfo da América e Cartografia do Poder

Renomeando Oceanos, Reivindicando Hemisfério

Em 20 de janeiro de 2025, em um de seus primeiros atos do segundo mandato, Trump assinou Ordem Executiva 14172 oficialmente direcionando US Board on Geographic Names a renomear Golfo do México como “Golfo da América”.”

Ordem declarava bacia um “ativo integral para nossa Nação outrora florescente” e “artéria crucial para comércio inicial da América.” Embora governo mexicano imediatamente rejeitasse mudança, contrapondo com termo “América Mexicana,” e 71% do público americano se opusesse, administração procedeu atualizando mapas federais e proclamou 9 de fevereiro de 2025 como “Dia do Golfo da América.”

A renomeação funcionou como anúncio de intenções. Conectou ao controle que Trump buscava sobre o Canal do Panamá, à pressão sobre a Venezuela para garantir petróleo, às tarifas sobre a Europa para forçar concessão da Groenlândia. Simbolismo geográfico como extensão de grande estratégia territorial e econômica.

Google Maps agora exibe “Golfo da América” para usuários americanos, “Golfo do México” para mexicanos, ambos os nomes para o resto do mundo — geografia digital fragmentada refletindo ordem global fragmentada.

Simbolismo Vinculado a Força Real

Simbolismo importa quando vinculado à força real. Estados Unidos tinham poder militar para capturar Maduro, alavancagem econômica para punir a OTAN, profundidade de mercado para coagir Taiwan. Renomear oceano sem capacidade de controlar o que flui através dele seria performance vazia. Mas Trump vinculou o nome à ação. Transformou declaração cartográfica em componente de doutrina operacional.

Águas territoriais se expandem conceptualmente para incluir tudo entre Ártico e Caribe. Quem controla nomes eventualmente controla narrativas. Quem controla narrativas molda realidades estratégicas aceitas como inevitáveis.


PARTE 3: REAÇÕES GLOBAIS E O NOVO MAPA DE ALIANÇAS

3.1 Europa: De Aliados a Alvos — O Fim do Atlanticismo?

NATO Sob Pressão Inédita

As tarifas de 10-25% sobre oito aliados da NATO pela recusa em vender Groenlândia representam crise existencial sem paralelo na história da aliança de 75 anos. Não foram impostas por adversários, mas pelo próprio garantidor da segurança europeia. Linkam explicitamente punição econômica à capitulação territorial, tratando soberania aliada como commodity a ser adquirida através de coerção.

Primeiro-ministro britânico Keir Starmer declarou que aplicar “tarifas sobre aliados por buscar segurança coletiva de aliados da OTAN está completamente errado.” Presidente francês Macron adotou tom desafiador: “Nenhuma intimidação ou ameaça pode nos influenciar.” Presidente da Comissão Europeia von der Leyen alertou sobre “espiral descendente perigosa”.

Mas além de retórica, Europa iniciou movimentos estruturais para autonomia estratégica — capacidade para a Europa atuar militar e economicamente sem permissão americana. Acordo Mercosul-UE finalizado exatamente quando tarifas da Groenlândia foram anunciadas representa o primeiro fruto maior dessa estratégia pós-atlanticista.

Mercosul-UE Como Contramedida Geopolítica

O acordo EU-Mercosul cria mercado de 700+ milhões de consumidores cobrindo aproximadamente 30% do PIB global. Geograficamente, Mercosul representa 70% do território sul-americano e 75% da população. Combinado com UE, cria bloco econômico que controla fracção maciça de comércio global.

Para América Latina, acordo é dupla vitória: acesso privilegiado ao mercado europeu compensa perdas potenciais de tarifas americanas futuras. Lula e Milei — ideologicamente opostos em tudo exceto interesse nacional — uniram-se para aprovar acordo porque ambos reconhecem que depender exclusivamente dos EUA é convite ao estrangulamento econômico quando Washington decide punir desvios de subordinação absoluta.

Trump queria isolar China do Hemisfério Ocidental e forçar a América Latina a escolher entre Washington e Pequim. Conseguiu resultado oposto: isolou os Estados Unidos de aliados europeus tradicionais enquanto empurra a América do Sul para diversificação entre múltiplos parceiros.

Fragmentação Comercial Beneficia Quem?

Europa constrói pontes comerciais sólidas enquanto Washington ergue muros tarifários que alienam até membros da NATO. A fragmentação da globalização não beneficia quem imaginava dominar sozinho através de ameaças. Beneficia quem pacientemente constrói blocos alternativos enquanto o hegemon se distrai destruindo próprias alianças com extorsões mal calculadas.

3.2 China: “Novo Monroísmo” e Contramovimentos Estratégicos

Pequim Como Alvo Central de Todos os Pilares

Cada pilar da Doutrina Donroe tem alvo primário: Pequim. A Iniciativa do Cinturão e Rota penetrou profundamente a América Latina. Porto de Chancay no Peru redireciona comércio sul-americano para o Pacífico, contornando o Canal do Panamá e rotas atlânticas. Hutchison Ports controla terminais em ambos os lados do Canal. COSCO opera portos no Brasil, Argentina, Panamá.

Venezuela representava parceria estratégica integral com a China. Pequim investiu bilhões em infraestrutura, petróleo, mineração. Maduro alinhado garantia acesso chinês a maiores reservas de petróleo do mundo. A captura de Maduro não foi apenas sobre narco-terrorismo. Foi expulsão chinesa.

Groenlândia ilustra competição por recursos. Depósito de Kvanefjeld: terceiro maior depósito terrestre de terras raras do mundo. Depósito de Tanbreez: potencialmente 28,2 milhões de toneladas. China controla 90% do processamento global de terras raras. Trump quer quebrar esse monopólio.

Taiwan mostra competição tecnológica. China busca reunificação. Trump força TSMC a relocar 40% da capacidade para Arizona. Se Pequim bloquear Taiwan, economia americana permanece isolada. Semicondutores são nova fronteira de guerra fria tecnológica.

A Crítica ao “Novo Monroísmo”

China rotulou estratégia como “Novo Monroísmo,” caracterizando-a como tentativa imperialista arcaica de tratar América Latina como “quintal.” Ministro das Relações Exteriores Wang Yi respondeu à operação Venezuela: “Nunca acreditamos que qualquer país pode desempenhar papel de policial mundial.”

Mas a resposta de Pequim foi cautelosa. Embora defendesse verbalmente parceiros, não comprometeu ativos militares para desafiar domínio americano no Caribe. Em vez disso, China está jogando jogo longo, aprofundando laços com aliados americanos alienados como Canadá (Pivot Carney) e reforçando posição no Sul Global através de BRICS expandido.

Dilema Estratégico Chinês

China enfrenta escolha difícil: acelerar investimentos no Cinturão e Rota para estabelecer presença resiliente à pressão americana (arriscando mais intervenções militares), ou reduzir engajamento latino-americano (cedendo região à dominação americana).

Resposta chinesa até janeiro de 2026: híbrida. Aprofundar laços com Brasil e Chile (economias grandes menos vulneráveis à ação militar americana) enquanto reduz exposição em nações menores onde mudança de regime se torna plausível. Também fortalecer BRICS como alternativa ao sistema centrado em Washington.

3.3 América Latina: Entre Medo e Hedging

Brasil: Observador Cauteloso

Brasil sob Lula mantém distância calculada. Condenou operação Venezuela como violação de soberania, mas não rompeu relações com Washington. Simultaneamente, assinou Mercosul-UE para diversificar comércio longe de dependência americana e mantém relações comerciais robustas com a China (maior parceira comercial do Brasil).

Estratégia brasileira é hedging máximo: evitar subordinação total a qualquer bloco enquanto maximiza benefícios comerciais de todos.

Argentina: Alinhamento Ideológico com Trumpismo

Argentina sob Milei representa alinhamento entusiasta. Milei vê Trump como aliado ideológico contra “esquerda globalista” e apoia publicamente Doutrina Donroe. Mas mesmo Buenos Aires mantém pragmatismo: assinou Mercosul-UE (diversificação europeia) enquanto mantém relações comerciais com a China.

Venezuela Pós-Maduro: Democracia ou Administração Americana?

Com Delcy Rodríguez assumindo presidência interina e Trump declarando que EUA “administrarão” país durante transição, Venezuela enfrenta escolha entre regime fantoche americano e democracia genuína liderada por María Corina Machado — que foi marginalizada.

Ironia: retórica oficial cita democracia, prioridade estratégica é controle de petróleo e exclusão chinesa. Democratas venezuelanos genuínos tornaram-se inconvenientes.


PARTE 4: DESAFIOS ESTRUTURAIS E CONTRADIÇÕES FATAIS

4.1 Vulnerabilidade Legal: IEEPA na Suprema Corte

Conforme discutido, a decisão esperada da Suprema Corte no início de 2026 sobre o caso V.O.S. Selections v. Trump pode invalidar a fundação legal de pilar tarifário inteiro da Doutrina Donroe. Se IEEPA for julgado não autorizar tarifas amplas, Trump enfrenta escolhas desagradáveis:

  1. Recuar nas tarifas — destruindo credibilidade de ameaças futuras

  2. Encontrar autoridade estatutária alternativa — dando a Congresso veto efetivo

  3. Desafiar decisão judicial — crise constitucional

Qualquer resultado enfraquece o pilar econômico central da doutrina.

4.2 Durabilidade dos Acordos de Paz: Coerção vs. Resolução

Tailândia-Camboja: Acordo colapsou 5 meses depois, com combates recomeçando em dezembro de 2025.

Ucrânia: Plano favorece Putin, Zelensky hesita, europeus céticos.

Gaza: Cessar-fogo frágil sem resolver causas raiz.

Questão central: Paz coercitiva é sustentável? Ameaças econômicas podem forçar assinaturas, mas não podem resolver queixas étnicas, territoriais e ideológicas profundas que alimentam conflitos. Quando a pressão americana diminui ou a atenção se desloca, acordos se desfazem.

4.3 Custo nas Alianças: Subordinação vs. Fragmentação

Groenlândia: 75% de americanos se opõem à aquisição, oposição bipartidária no Congresso.

Europa: Construindo alternativas comerciais (Mercosul-UE), acelerando autonomia estratégica.

Canadá: Pivotando para a China após ameaças de anexação.

Índia: Resistindo tarifas de 50%, questionando confiabilidade americana como parceiro Quad.

Padrão emergente: Coerção excessiva não produz subordinação permanente, apenas hedging contra dependência futura de Washington. Aliados constroem blocos alternativos, reduzem vulnerabilidade a pressão americana, diversificam parceiros.

Resultado paradoxal: Doutrina Donroe pode acelerar exatamente a multipolaridade que pretende evitar.


PARTE 5: IMPLICAÇÕES PARA O FUTURO DA ORDEM GLOBAL

5.1 O Novo Mapa Global: Blocos, Hedging e Fragmentação

A Doutrina Donroe está forçando realinhamentos estruturais:

Eixo Atlântico Norte Fragmentado: Europa construindo autonomia estratégica, diversificando comércio para a América Latina e a Ásia. Canadá hedging através de parceria chinesa. NATO sob pressão inédita.

Hemisfério Ocidental Contestado: Brasil e Argentina assinando Mercosul-UE (diversificação europeia) enquanto mantêm comércio chinês robusto. Venezuela sob administração americana, mas democracia ausente. América Central/Caribe sob pressão para escolher entre Washington e Pequim.

Ásia-Pacífico em Fluxo: Taiwan relocando chips, mas ressentindo coerção. Índia resistindo tarifas, mas mantendo pragmatismo. Canadá abrindo corredor sino-canadense. China está reforçando BRICS como alternativa.

Friendly Shoring vs. Desglobalização: Fluxos comerciais reorganizando-se em blocos regionais múltiplos. EUA estão perdendo centralidade como hub de Bretton Woods. Multipolaridade acelerando.

5.2 Outros Países Seguirão o Modelo Tarifário?

Doutrina Donroe estabelece precedente: tarifas como ferramenta primária de coerção geopolítica. Outros poderes regionais observam e aprendem.

Rússia poderia aplicar tarifas secundárias sobre países negociando com a Ucrânia. China poderia tarifar nações apoiando Taiwan ou participando de Quad. Turquia poderia usar tarifas para pressão regional no Oriente Médio.

Risco sistêmico: Se modelo se disseminar, comércio global fragmenta em guerra tarifária permanente onde cada transação possui dimensão geopolítica. Sistema baseado em regras da OMC morre definitivamente.

5.3 O Século XXI Será Americano? Três Cenários

Cenário 1: Fortaleza Hemisfério Ocidental (Visão Trumpiana)

Doutrina Donroe consolida controle hemisférico. Groenlândia adquirida garante Ártico. Venezuela sob administração americana garante petróleo. Tarifas forçam reshoring de capacidade industrial crítica. Europa e Ásia dependem do mercado consumidor americano e aceitam a primazia americana.

Resultado: Século XXI americano através de domínio hemisférico autossuficiente.

Cenário 2: Multipolaridade Acelerada (Visão Kissinger)

Coerção excessiva empurra aliados para blocos alternativos. Europa-Mercosul, Canadá-China, Índia-Rússia constroem parcerias que contornam Washington. BRICS expande e institucionaliza alternativas financeiras. Tribunais invalidam tarifas IEEPA. Acordos de paz colapsam.

Resultado: Fragmentação que acelera declínio relativo americano.

Cenário 3: Superextensão Imperial (Visão Histórica)

Manutenção simultânea de domínio hemisférico, contenção chinesa, fragmentação russa, coerção europeia, reshoring industrial e mediação global supera capacidade americana. Custos fiscais, militares e diplomáticos acumulam. Aliados constroem alternativas. Adversários exploram overstretch.

Resultado: Superextensão leva a retração forçada e perda de primazia.

5.4 A Pergunta de Tucker Carlson

Tucker Carlson faria pergunta que establishment evita: A que custo?

Aliados viraram adversários comerciais. Parceiros buscam alternativas. Tribunais questionam autoridade legal. Acordos de paz colapsam. Multipolaridade acelera enquanto o hegemon destrói a própria rede de alianças que garantiu domínio global por 75 anos.

Domínio hemisférico vale fragmentação global? Controle de petróleo venezuelano compensa pivot canadense para a China? Terras raras da Groenlândia justificam ruptura da NATO?

5.5 O Alerta de Kissinger

Henry Kissinger alertaria sobre perigos de excesso de ambição. Grandes estratégias falham não por falta de visão, mas quando capacidade não acompanha objetivos.

Monroe teve sucesso porque objetivos limitados correspondiam ao poder disponível: manter a Europa fora do hemisfério. Roosevelt triunfou porque potências regionais não podiam resistir efetivamente.

Trump está testando se Estados Unidos de 2026 têm capacidade econômica, militar e diplomática para simultaneamente:

  • Dominar Américas

  • Conter China

  • Fragmentar Rússia

  • Coagir Europa

  • Redesenhar cadeias globais de suprimento

  • Mediar conflitos em múltiplos continentes

História sugere que impérios que tentam tudo simultaneamente geralmente falham em tudo gradualmente.


CONCLUSÃO: IMPÉRIO OU SUPEREXTENSÃO?

Monroe defendeu o hemisfério em 1823 contra a colonização europeia. Roosevelt policiou vizinhos em 1904 com Big Stick. Reagan armou insurgentes nos anos 1980 contra a expansão soviética. Trump em 2025-2026 vai além de todos: combina aquisição territorial, intervenção militar direta, tarifas como armas de política externa, coerção de relocação industrial, Conselhos da Paz presidenciais que substituem instituições multilaterais e afirmações simbólicas de pertencimento hemisférico exclusivo.

É reasserção mais dramática de domínio hemisférico americano em um século, envolvendo seis pilares simultâneos executados com coordenação estratégica impressionante.

A Execução é Brutal Mas Coerente

Maduro capturado em operação com mais de 150 aeronaves. Tarifas aplicadas simultaneamente sobre adversários como o Irã e aliados como a OTAN. Taiwan coagido a investir meio trilhão de dólares. Europa empurrada para Mercosul enquanto Canadá pivota para a China.

Cada movimento conecta ao próximo, cada pressão amplifica a outra. É xadrez multidimensional onde Trump joga em todos os tabuleiros ao mesmo tempo, forçando oponentes a escolher entre capitulação e isolamento de mercado americano.

As Três Vulnerabilidades Críticas

Mas Doutrina Donroe enfrenta três vulnerabilidades críticas que podem transformar reasserção em superextensão:

Primeira — Legalidade das Tarifas: Se a Suprema Corte declarar IEEPA inválido para tarifas amplas, pilar econômico da doutrina desmorona. Estados Unidos podem dever centenas de bilhões em tarifas cobradas ilegalmente.

Segunda — Durabilidade dos Acordos de Paz: Tailândia e Camboja voltaram a lutar dois meses após o acordo. Ucrânia hesita em aceitar plano que entrega lista de desejos a Putin. Gaza permanece sob cessar-fogo instável. Mediação baseada em ameaças produz assinaturas, não resolve causas de conflitos.

Terceira — Fragmentação de Alianças: Europa construindo autonomia estratégica, Canadá diversificando para a China, Índia resistindo à coerção mostram que pressão excessiva não produz subordinação permanente, apenas hedging contra dependência futura de Washington.

A Pergunta Fundamental

Não é se Doutrina Donroe é ambiciosa. É se é sustentável.

Monroe teve sucesso porque objetivos limitados correspondiam ao poder disponível. Roosevelt triunfou porque potências regionais não podiam resistir efetivamente. Trump está testando se os Estados Unidos em 2026 têm capacidade para simultaneamente dominar Américas, conter China, fragmentar Rússia, coagir Europa, redesenhar cadeias de suprimento globais e mediar conflitos em múltiplos continentes.

O Veredito Ainda Está Pendente

Janeiro de 2026 mostra assertividade sem precedentes. Maduro preso, Taiwan relocando chips, NATO sob tarifas, China excluída do hemisfério, Rússia negociando nos termos de Trump.

Mas Tucker Carlson faria a pergunta que establishment ignora: A que custo?

Aliados viraram adversários comerciais. Parceiros buscam alternativas. Tribunais questionam autoridade legal. Acordos de paz colapsam. Multipolaridade acelera enquanto o hegemon destrói a própria rede de alianças que garantiu domínio global por 75 anos.

Império ou Superextensão?

O século XXI será americano se a Doutrina Donroe consolidar Fortaleza Hemisfério Ocidental autossuficiente em recursos, blindada contra penetração rival, capaz de projetar poder sem depender de alianças que limitam ação unilateral.

Ou será multipolar se coerção excessiva empurrar aliados para blocos alternativos, se tribunais invalidarem ferramentas econômicas, se custos de manutenção de império superarem benefícios de controle hemisférico.

Monroe durou dois séculos porque equilibrou ambição com capacidade. Donroe tem um ano. E já forçou o mundo a escolher entre submissão a Washington e organização em torno de Washington.

A resposta a essa escolha definirá se Trump reescreveu as regras do poder global ou simplesmente acelerou o fim da era americana de dominância inquestionável.

A história sugere que impérios que tentam tudo simultaneamente geralmente falham em tudo gradualmente. Mas a história também mostra que períodos de transição hegemônica são os mais perigosos. A Doutrina Donroe pode ser consolidação de domínio ou sintoma de declínio. Janeiro de 2026 fornece prólogo, não veredito.

O xadrez multidimensional continua. E o mundo está jogando de volta.


REFERÊNCIAS COMPLETAS

Documentos Oficiais

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  4. U.S. Department of Commerce, “Fact Sheet: Restoring American Semiconductor Manufacturing Leadership,” January 15, 2026

Jornalismo de Qualidade

  1. NBC News, “Trump, Denmark, European Tariffs Greenland Deal,” January 17, 2026

  2. NBC News, “US Venezuela Strike Nicolas Maduro Captured Timeline,” January 3-4, 2026

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  4. The Washington Post, “Trump Greenland Europe Tariffs,” January 17, 2026

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  7. The Guardian, “UK Politicians Condemn Trump’s Threat to Impose Tariffs Over Greenland,” January 17, 2026

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  9. TIME, “Greenland Trump Protests Tariffs,” January 2026

  10. TIME, “Trump Venezuela Monroe Doctrine History,” January 2026

  11. Anadolu Agency, “Macron: No Intimidation or Threat Can Influence Us After US Tariff Threats Over Greenland,” January 17, 2026

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  13. Reuters / PBS NewsHour, “Trump’s 50% Tariffs on India Over Russian Oil Purchases Take Effect,” August 2025

  14. CNBC, “Trump Tariffs Iran Business,” January 12, 2026

  15. Fox 13 News, “Trump Tariffs Iran Trade Partners,” January 2026

  16. Times of India, “Trump’s 500% Tariff Pressure: Where Does India’s Oil Security Stand?” 2025

  17. Times of India, “US in Trouble: Trump Flags Financial Risks if SC Strikes Down Tariffs,” 2025

  18. The Hindu, “US Taiwan Sign $250 Billion Trade Deal Cutting Tariffs,” January 15, 2026

  19. Economic Times, “EU and Mercosur Sign Trade Deal After 25 Years of Negotiations,” January 17, 2026

Think Tanks e Análises

  1. Atlantic Council, “The Trump Corollary Is Officially in Effect,” December 2025

  2. Chatham House, “Trump Corollary: US Security Strategy Brings New Focus to Latin America,” December 2025

  3. Brookings Institution, “Global Implications of the US Military Operation in Venezuela,” January 2026

  4. CSIS, “Geopolitics of Maduro’s Capture: China’s Future in Latin America,” January 2026

  5. ECFR (European Council on Foreign Relations), “Venezuela, Trump’s Donroe Doctrine, and Three Dilemmas Facing Europe,” January 2026

  6. Axios, “Trump Ukraine Peace Plan 28 Points Russia,” November 20, 2025

  7. American Progress, “Trump’s 28-Point Peace Plan Will Invite the Next War,” December 2025

  8. PBS NewsHour, “U.S. Senators Say Rubio Told Them Trump’s Ukraine Peace Plan Is Russian Wish List,” December 2025

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  5. Wikipedia, “Kuala Lumpur Peace Accord,” accessed January 2026

  6. Future UAE, “China’s Response to US Venezuela Operation,” January 2026

  7. Novaya Gazeta Europe, “Trump Administration Reportedly Mulling Expansion of Gaza Board of Peace to Ukraine,” January 17, 2026

  8. Mediate.com, “Trump Falsely Claims Mediation Between India and Pakistan,” May 2025

  9. East Asia Forum, “Thailand-Cambodia Border Agreement on Shaky Ground,” November 2025

  10. Evrimagaci, “Pakistan Credits China and Trump for India Ceasefire,” May 2025

  11. GIS Reports Online, “US-Panama Global Strategy,” 2025

  12. Euractiv, “Trump Says Countries Trading with Iran Will Face 25% US Tariffs,” January 12, 2026

Vídeos e Entrevistas

  1. YouTube, “S. Jaishankar on India-Pakistan Ceasefire,” May 2025

  2. YouTube, “Trump on India Tariffs Over Russian Oil,” August 2025


Sobre o Autor

Leonardo Dias é fundador da Arvor AI e apresentador do podcast Rádio Café, especializado em análises geopolíticas e tecnologia. Este artigo foi desenvolvido com base na live Ressonância Cognitiva #12 com participação de Marcos Paulo Candeloro e Gustavo Rebelo.

Créditos Adicionais:


O Editorial

Janeiro 2026

oeditorial.co

Palavras-chave: Doutrina Donroe, Donald Trump, política externa americana, Venezuela, Groenlândia, tarifas, geopolítica, China, NATO, semicondutores Taiwan, Mercosul-UE, Canadá China, grande estratégia


Nota editorial: Este artigo representa análise independente baseada em fontes abertas e documentos públicos. As conclusões refletem interpretação editorial do autor e não representam posições oficiais de qualquer governo ou instituição.

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